Quem abriu o portfólio nos últimos dias sentiu o impacto imediato. Ver o Bitcoin sair de US$ 126.000 para testar a faixa dos US$ 60.000 não é um teste de convicção.
Foram dois trilhões de dólares em valor de mercado perdidos. O sentimento de “fim de festa” contamina as redes sociais e os grupos de investimento, especialmente para quem entrou durante a euforia de 2025.
O medo da perda é compreensível. Quando o patrimônio encolhe pela metade em semanas, o instinto natural é estancar a sangria e vender o que sobrou. Mas a história pune quem reage ao preço e premia quem tem paciência e entende o ciclo.
A RESILIÊNCIA DA INFRAESTRUTURA
O preço na tela é um tanto desagradável, mas nós temos que analisar os fundamentos do bitcoin. O hashrate (a medida de segurança e investimento computacional da rede), por exemplo, manteve-se nas máximas históricas.
Mineradores industriais, que operam com margens apertadas e visão de longo prazo, não desligaram as máquinas. Eles continuam investindo capital intensivo, sinalizando que a tese fundamental permanece inalterada.
Esta é a 477ª vez que o Bitcoin é declarado morto pela mídia “especializada”. Comparado aos crashes anteriores, como os 84% de queda em 2018 ou os 77% em 2022, o recuo atual de 50% indica um ativo que, embora volátil, caminha para a estabilidade.

Como observa Matthew Sigel, Head de Pesquisa de Ativos Digitais da VanEck:
“Ao contrário de crashes passados com culpados claros (FTX, Terra), este sell-off não tem um único gatilho. Isso torna mais difícil achar o fundo, mas cria um setup mais limpo para a recuperação.”
A LIQUIDAÇÃO (LITERALMENTE)
Mais de US$ 4 bilhões em posições especulativas foram liquidadas em cascata. O mercado precisava expurgar o excesso de otimismo para voltar a subir com consistência.
Outro fator técnico que pressionou os preços foi a rotação de capital dos mineradores, movimento detalhado em relatório recente da gestora VanEck:
“Muitas empresas de mineração pivotaram para IA… vendendo Bitcoin para levantar caixa. Isso adicionou oferta spot num momento frágil.”
Apesar disso, a dominância do Bitcoin subiu para 58,9%. Em momentos de incerteza, o capital do ecossistema cripto busca a segurança do ativo principal. As altcoins, como o Ethereum, sofreram perdas muito mais severas, confirmando a hierarquia de risco do setor.

O COMPORTAMENTO MACROECONÔMICO
O Bitcoin deixou de ser um ativo plenamente descorrelacionado. Hoje, ele se comporta como um ativo maduro de Wall Street, reagindo às taxas de juros e às incertezas regulatórias com a mesma sensibilidade da Nasdaq.

Analistas de grandes casas, como Bernstein e VanEck, classificam o momento atual como uma “crise de confiança” passageira, e não um problema estrutural.
Até antigos críticos, como Jamie Dimon e Mark Cuban, mantêm posições no setor. Se investidores institucionais e bilionários não estão vendendo seus ativos estratégicos, por que eu (ou você) deveria?
CONCLUSÃO
Quem teve a coragem de comprar durante o pânico de 2018 ou na queda da FTX em 2022 construiu um patrimônio transformador nos anos seguintes.
O cenário de fevereiro de 2026 oferece a mesma dinâmica psicológica. O preço é diferente, mas o medo é idêntico.
Você vai validar o prejuízo vendendo no momento de maior dor, ou vai aproveitar a distorção para se posicionar ao lado dos fundamentos?
O mercado transfere dinheiro dos impacientes para os disciplinados. De que lado você está?




