Como a conta de dolarização funciona
O simulador pega os últimos vinte anos, mês a mês, e refaz uma carteira que mantém uma parcela fixa em dólar (ações globais, medidas pelo S&P 500 convertido para reais) e o restante no CDI. Uma vez por ano a carteira volta à parcela escolhida. No fim, a inflação (IPCA) é descontada, para o resultado dizer quanto o patrimônio ganhou de poder de compra, e não só quanto cresceu em reais.
As fontes
CDI mensal, câmbio médio mensal e IPCA vêm das séries do Banco Central do Brasil (SGS 4391, 3698 e 433). O S&P 500 é o fechamento mensal do índice, ao qual somamos dividendos de 1,8% ao ano, que o índice de preço não inclui, e descontamos 0,5% ao ano de custo de ETF e custódia. Período de 08/2006 a 08/2026; dados atualizados em setembro de 2026.
Duas contas que o extrato não mostra
O que o CDI perdeu em dólar
Em trinta anos de Plano Real, o real perdeu entre 83% e 87% do valor frente ao dólar. Uma carteira só em CDI rende todo mês em reais e, medida na moeda em que a família viaja, estuda e se trata, pode ficar parada ou encolher.
O que a concentração custou
Simulação da FIPECAFI, com IR e câmbio: R$ 10 mil em 15 anos viraram R$ 137 mil no S&P 500, R$ 34 mil no CDI e R$ 17 mil no Ibovespa. Para R$ 1 milhão, a diferença entre ficar e sair passou de R$ 12 milhões.
Entre 16% e 18% da cesta de consumo das famílias brasileiras segue o dólar, segundo a FGV. Para famílias de alto patrimônio, com viagens, educação e saúde no exterior, a fatia é maior. A parcela em dólar existe primeiro para pagar essa conta.
Perguntas frequentes
Quanto do patrimônio devo ter em dólar?
Depende de quanto da sua vida é em dólar. Uma regra prática usada nas famílias que atendemos é manter em moeda forte pelo menos o equivalente a dez anos das despesas dolarizadas (viagens, educação no exterior, saúde importada), e a partir daí discutir a parcela como decisão de carteira, entre 20% e 40% para a maioria dos patrimônios. O simulador mostra os dois lados: o histórico de cada parcela e a cobertura das despesas.
Dolarizar é comprar dólar?
Não precisa ser. Dólar parado em conta protege contra o câmbio, mas nos últimos 20 anos perdeu para a inflação brasileira. Dolarizar de verdade é ter ativos que rendem em dólar: ações e títulos globais, fundos e ETFs no exterior, imóveis. O simulador usa ações globais (S&P 500) porque é o jeito mais comum e o que tem histórico mais longo.
Por que a carteira com dólar rendeu mais e balançou mais?
Porque ela soma dois movimentos: o câmbio, que subiu no período, e a bolsa americana, que subiu muito mais. Os dois também caem juntos em alguns momentos (2008, 2020), e é isso que aparece na volatilidade e na pior queda. O CDI, ao contrário, quase nunca cai em reais, mas perde valor em dólar sem que o extrato mostre.
O dólar caiu em termos reais nos últimos 20 anos. Então não protege?
De 2006 a 2026 o dólar subiu bem menos do que o IPCA, porque 2006 já foi um ponto de dólar caro. Em janelas de 12 meses, porém, ele subiu até dois terços, e é nesses anos que as despesas em moeda forte pesam. A proteção do dólar é para os anos ruins do real, e a parcela em ativos que rendem em dólar é o que compensa a perda para a inflação no longo prazo.
E o imposto sobre investimentos no exterior?
Desde 2024, a renda de aplicações financeiras no exterior de pessoa física é tributada a 15% no ajuste anual, e os ganhos com variação cambial entram na base. Estruturas como offshore mudam o momento da cobrança. O simulador não inclui imposto; um consultor coloca a tributação de cada estrutura na conta.
O resultado é uma recomendação?
Não. É uma simulação educativa com dados públicos e premissas declaradas, para dar ordem de grandeza. A parcela certa depende do patrimônio, das despesas, da tolerância a oscilação e da estrutura tributária da família. Um consultor da Zanella Wealth monta a carteira internacional com esses dados.